quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Overdose de Internet e a virtualização do ser humano

A tecnologia trouxe muitas evoluções em nossas vidas. A principal revolução tecnológica ocorreu e continua ocorrendo com a Internet. Através da Internet é possível mandar rapidamente e-mail com documentos digitalizados para uma pessoa a quilômetros de distância, participar de redes sociais, participar de videoconferências, conversar através de comunicador de mensagens instantâneas, assistir vídeos e ouvir músicas. É possível até se conectar na Internet por meio de celulares com teclado (os smartphones).

 Em que pese estas facilidades de comunicação que a tecnologia trouxe em nossas vidas, o humanismo está se perdendo e os relacionamentos estão ficando cada vez mais frios e virtuais.

Pessoas estão trocando o mundo real pelo mundo virtual. O site de relacionamento Twitter é um exemplo disso. Neste site, o grande objetivo é cada pessoa informar o que está fazendo naquele exato instante. Com isso, várias pessoas ficam grande parte do dia relatando o que estão fazendo em casa, deixando de ir a festas, reuniões, encontro com amigos, deixando de conhecer pessoas novas para amizades ou namoros. Facebook está indo pelo mesmo caminho, muitos usam o Facebook como um Twitter.  A rede social está perdendo sua razão de ser. Como nome diz ela tinha que ser social mas na prática não é o  que acontece.

Além da Internet, há vários equipamentos tecnológicos que permitem ouvir músicas, assistir vídeos, jogar, conversar, fotografar, filmar. Dentre eles a grande novidade é o tablet, que possibilita navegar na Internet numa grande tela touch screen e ler livros digitalizados.

O tablet surgiu com objetivo de aposentar o velho e bom livro impresso. No tablet, centenas de livros são digitalizados em um pequeno dispositivo eletrônico barateando os custos de aquisição do livro e com isso a pessoa pode ler esta farta quantidade de livros numa tela, clicando num botão para mudar de página. Com o tempo não se publicarão mais livros, cada vez mais pessoas usarão o tablet, restando apenas os livros antigos. A sensação única, maravilhosa e mágica que envolve a leitura de um livro impresso morrerá. As pessoas não verão mais capas com ilustrações coloridas, não sentirão mais o cheiro típico de tinta do livro novo, não tocarão mais nas páginas de um livro, não sentirão pelos dedos a textura do papel. Estão querendo que o romantismo do livro impresso acabe!

A amizade e o romantismo (em suma os relacionamentos reais) estão deixando de existir. As pessoas estão se enclausurando com toda série de aparatos tecnológicos, se fechando para os amigos e para o amor. O ser humano está ficando parecido com os dispositivos tecnológicos que freqüentemente usa: automático, frio, rápido e artificial. O calor do relacionamento pessoal está aos poucos desaparecendo. É uma pena, pois nada substitui o contato pessoal. Absolutamente nada substitui a experiência de estar ao lado de alguém, olhar em seus olhos, conversar ao vivo, dar risadas, abraçar, beijar e acariciar. A Internet é uma ferramenta social e deveria ser usado do mundo virtual para o mundo real, o objetivo seria quebrar esta barreira mas não muitas pessoas não quebram esta importante barreira permanecem no mundo virtual!

Se eu teclo com uma pessoa nova, não vou querer ficar o resto da minha vida teclando com esta pessoa, uma hora vou querer conhecê-la pessoalmente e o quanto antes. Mas tem pessoas que adoram ficar prolongando o contato virtual e evitando o real. É preciso quebrar esta barreira, afinal de contas somos seres humanos, seres sociais e relacionamentos sociais só existem com contatos sociais pessoais. Sou um ser humano, não uma maquininha. Quer um robô? Compre um que não serei sua cobaia!!

O virtualismo é tão grave que algumas pessoas chegam ao ponto de mandar uma mensagem na rede social se desculpando por não ter conseguindo entrar na Internet por um dia. Pois é, já vi uma pessoa pedindo desculpas por não ter aparecido no Facebook no dia anterior. Pra que se justificar? Como se ela precisasse dar satisfação disso. Como se fosse essencial ela explicar isso para as demais pessoas.  Como se fosse urgente ela responder todos as mensagens imediatamente. Qual a necessidade de ficar se desculpando por não ter entrado na Internet um dia? Desculpar-se de quê? Oh meu Deus vai acabar o mundo, todo mundo vai ficar muito magoado por uma atitude tão terrível como esta! A dependência é tanta que a pessoa se torna uma escrava do mundo virtual e nem se dá conta disso. Trata o mundo virtual como se fosse um encontro pessoal, um compromisso da vida real. A pessoa passa a acreditar que tem a obrigação de informar o que tá fazendo a todo instante pra todo mundo e se isso não for feito ela se sente mal. Passou uns minutos e ela não relatou o que esta fazendo ela fica ansiosa, desesperada vira um vício tal como o cigarro.

Há também aqueles que saem de casa, vão a lugares interessantes com amigos pra se divertir mas o uso da Internet atrapalha totalmente o momento do lazer. Abaixo 2 casos que vi há alguns meses atrás, quando o Facebook começou a ser a febre do momento no Brasil.

A pessoa vai a uma festa e fica grande parte da festa postando pra todo mundo no Facebook o que tá fazendo na festa, mandando fotos do que tá fazendo e em que local está rolando a festa. Toca uma música bem legal mas a pessoa interrompe sua dança pra ficar postando que tá dançando tal musica. A pessoa simplesmente deixa de curtir aquele momento especial pois perde tempo em narrar o que está acontecendo naquele momento. Ao fazer isso o indivíduo deixa de aproveitar o momento como deveria ser aproveitado em sua plenitude, vários instantes são perdidos, várias situações deixam daquele momento deixam de ser curtidas porque a pessoa ao invés de vivenciar o momento estava lá teclando. O momento perdeu qualidade pois a pessoa deixou de notar e sentir várias coisas enquanto estava dedilhando freneticamente no tecladinho do celular

Isso acontece também nas férias. A pessoa entra em férias do trabalho mas não da Internet. O vício continua frequente. Na praia é a mesma coisa. A pessoa vai viajar pra praia em férias e faz absoluta questão de ficar teclando momento a momento o que está fazendo, e em que posição geográfica está naquele momento. Todo mundo lá curtindo e a pessoa narrando de minutos em minutos o que (e aonde) está sendo feita suas atividades enviando até fotos daquele instante no Twitter ou no Facebook como se fosse um jornalista de um reality show 24 horas. Os momentos da praia deixam de ser vividos intensamente. Minutos e horas preciosas foram desperdiçadas por algo totalmente sem sentido!

Se a pessoa quer contar pros amigos as férias, a festa, o churrasco, o barzinho ou qualquer outra ocasião por que ela primeiro não vive aquele momento pra apenas depois dele ter sido vivido e ela estiver sem nada pra fazer ela postar um resumo na Internet e postar as fotos do que aconteceu? Por que a necessidade de fazer isso no momento em que o fato está ocorrendo? A troco de que? O mundo vai acabar e ai não vai dar tempo delas saberem? As pessoas não podem esperar pra ver as fotos depois? As pessoas não podem esperar pra saber como que foi? Elas tem que saber na hora? Por que? Você é jornalista da sua própria vida e tem que relatar em tempo real?

Outrossim, existe a superexposição nas redes sociais. Muitos gostam de expor detalhes da vida pessoal que diga-se de passagem não interessa pra maioria das pessoas. Quando falo pessoal é pessoal mesmo (personalíssimo), não as coisas ocasionais, triviais, não as coisas do dia-a-dia, não me refiro aos fatos genéricos do trabalho, ao estado de humor, narração geral de fatos mas sim detalhes de fatos da vida íntima, situações muito pessoais. Tais pessoas sentem a necessidade de ir lá e falar com detalhes coisas muito pessoais pra todo mundo ler, não tomam cuidado e isso prejudica a própria vida delas. Outras pessoas bisbilhoteiras ao lerem isso começam a ficar em seu encalço chegando até a surgir encrencas por conta disso.

A coisa está tão grave que não duvido nada que daqui a pouco as pessoas vão começar a relatar na Internet seus relacionamentos sexuais reais no exato momento do ato sexual. Já pensou o rapaz escrevendo: “Estou nas preliminares. Beijando seus seios, são macios e cheirosos” e mais pra frente: “Ela agora está num ângulo frontal privilegiado. Estou agarrando-a e me aproximando. Encostou. Está entrando, está saindo, está entrando, está saindo. Estou sentindo uma enorme sensação de prazer!” O sujeito exporá detalhes íntimos de sua vida e deixará de aproveitar a transa para narrá-la. Ah do jeito que a coisa anda não duvido nada que futuramente teremos postagens assim no Twitter e no Facebook..

E o que dizer do sexo virtual? Sexo virtual não é sexo! Sexo só existe na vida real! Ora se a pessoa não é do tipo romântica como eu e busca apenas sexo casual na Internet o ideal é teclar com a outra pessoa e marcar de encontrar com ela pra ver se rola reciprocamente uma química pessoalmente com ela para um sexo real.  Até o sexo está comprometido com esta mania virtualóide! Como sabem sou romântico e portanto não sou adepto do sexo casual (exporei detalhadamente isso em uma futura crônica) mas respeito as pessoas que curtem contanto que seja consentido (que os 2 realmente queiram e ão estejam iludindo um ao outro quanto a esta intenção de relacionamento nada sério). 

Então muitos devem pensar: “O cara não gosta da Internet, odeia redes sociais, é um desatualizado na vida” Não nada disso! Uso a Internet pra vida profissional e pra pessoal também. Não, eu não odeio as redes sociais (tá vai o Twitter é a única exceção rs... – Twitter eu não gosto mesmo) não sou contra a Internet, sou contra o uso excessivo dela. Pois o uso excessivo tem se mostrando terrivelmente nocivo. Acho saudável usar redes sociais com moderação: eu mesmo uso, faço postagens nela. Escrevo ocasionalmente crônicas neste blog. Leio e-mail, teclo no MSN. Uso o Orkut e o Facebook, posto coisas que acho interessantes, comentários, posto fotos mas não faço minha vida girar em torno disso, não fico o tempo todo lá, uso alguns minutos, e jamais interrompo o que estou fazendo para avisar todo mundo que estou fazendo aquilo ou posto fotos ao vivo (depois de eu curtir o momento, normalmente um ou 2 dias depois eu posto as fotos e coloco algum comentário sucinto e tá ótimo) e mesmo se não for possível eu fazer isso eu não vou ficar desesperado, não vou morrer por causa disso.

Também não fico me expondo como muitos fazem, só revelo o que acho que as pessoas devem saber de mim, muita coisa continua no imaginário de quem não me conhece muito bem, a pessoa tem que ser minha amiga de verdade (não uma mera conhecida ou uma pessoa que só conheça virtualmente) pra saber detalhes de muitas coisas da minha vida.

Estou de fato em extinção pois sinto que cada vez mais as pessoas estão passando a discordar desta minha maneira de pensar, achando absolutamente natural que as coisas sejam assim, artificiais, frias e puramente virtuais deste jeito.

O que será do futuro da humanidade? As pessoas virarão robôs? Ficarão programadas para se relacionar? Seria este o admirável mundo novo que o célebre autor Aldous Huxley previu em seu livro? Não, eu não quero fazer parte deste mundo. Permanecerei usando a tecnologia para facilitar minha vida pessoal (marcando encontros reais com amigos e conhecendo pessoalmente novos seres humanos na Internet) e profissional. Prefiro continuar lendo meus livros impressos, sair com os meus amigos e aproveitar de forma plena cada instante (sem perder tempo em ficar relatando a todo instante o que estou fazendo para os outros), buscar um amor real, não morar no MSN,  no Twitter nem no Facebook, viver os momentos ao vivo e em cores e ser feliz de verdade!