Hoje vou falar de algo que ficou
rondando muito minha vida ultimamente: o estresse! E creio que seja o caso de
inúmeras pessoas na atualidade. É o grande mal do cotidiano que aflige o homem contemporâneo.
O grande problema do estresse é
ele se tornar crônico e se tornar depressão. E isso já aconteceu comigo em 1999.
Até hoje brinco que na minha vida não foi a grande depressão de 1929 (nome dado
ao crash, a queda da Bolsa de Nova Iorque), foi a grande depressão de 1999.
Na época, fazia duas faculdades
ao mesmo tempo: Direito de manhã na Faditu e Gestão Empresarial à noite na
Fatec. As atividades acumuladas das 2 faculdades me estressaram, mas não foram
as atividades em si as responsáveis pelo meu estresse. O grande responsável
pelo meu estresse foi eu mesmo. Eu me cobrava muito, era muito responsável, exigia
demais de mim, queria ir muito bem nas duas faculdades, ter ótimo rendimento
nas 2 (com notas entre 9 e 10 em ambas) e em determinada fase do curso isso já
não era mais possível, se eu fosse melhor numa inevitavelmente não iria tão bem
em outra, até iria bem mas não com um desempenho extraordinário como o que
almejava.
E isso me estressou. E o
estresse virou depressão. Estava tão cansado, tão sobrecarregado, a adrenalina
estava tão em alta que por não conseguir dar conta de tudo, desanimei, me senti
impotente perante a situação, fiquei apático perante tudo e me deprimi por 3 longos
meses.
Foi horrível! Mas graças a Deus
consegui superar tudo e sair desta crise!
Nas últimas semanas fiquei
estressado, senti depressão (mais leve do que a de 1999) que ameaçou a se
tornar grave se eu não reagisse. O que motivou meu estresse desta vez foi o
fato de eu ter me conscientizado de ter virado o novo chefe de família e agora
nesta crise econômica isso tornava tudo mais complicado ainda! Caiu a ficha, um
ano após meu querido pai ter falecido, me senti responsável pelo sustento de
minha família (mãe, irmã e sobrinho) e a crise fez com as dificuldades
aumentarem muito, fez o número de clientes diminuir bem como o índice de
inadimplência aumentar, o que me fez me sentir ainda mais frágil
financeiramente e pressionado, e me cobrar ainda mais pra que minha família não
passe necessidade. Ia ter que assumir tudo, e o peso desta responsabilidade
começou a doer demais nas minhas costas. Comecei a carregar o mundo atrás de
mim. Como sustentar a todos com estas dificuldades que de repente surgiram com
a crise?
Muitas pessoas notaram isso. Sou
uma pessoa comunicativa, extrovertida, adoro conversar e quando estou estressado
e deprimido (mesmo que num grau mais brando como o que estava recentemente)
fico calado, introvertido, antissocial, com a mente parada.
É incrível como o estresse
prejudica momentaneamente nossa mente. O estresse atravanca e bloqueia a mente,
estagna nossa criatividade e paralisa o desenvolvimento de nosso potencial. Turbulenta
e cansada nossa mente não consegue pensar sabiamente, não consegue ter grandes
ideias. Nos sentimos meio bobos, paralisados. E isso nos afasta de muitas
pessoas. A maioria das pessoas normalmente não entendem este estágio temporário
e tratam isso de forma insensível, sem compreensão.
Ademais, o estresse acarreta
insônia. Faz com que tenhamos um sono agitado, que faz com que acordemos
durante a noite. E noites de sono mal dormidas faz com que acordemos
desanimados, tensos, exaustos e sem energia para realizar as atividades do
dia-a-dia.
O fator que contribui muito com o
estresse é a preocupação. Ficar muito tenso, sentir a consequência mais grave
do problema antes dele se consumar totalmente. O problema até existe, é de
certa forma grave, está lá, mas a preocupação faz com que hiperdimensionemos o
problema, tornemos muito maior do que ele realmente é, trazendo consequências
irreversíveis ao problema que por pior que seja teria tentativas de soluções
alternativas que não pensamos. O pior vilão disso tudo é a nossa maneira de
pensar, de nos cobrar demais.
É neste momento que temos que
reagir para não agravar a situação, para sair do estresse e voltarmos à paz de
espírito que tínhamos antes. E como
lidar com isso? Encontrei a solução: além da autocrítica e da reflexão profunda
sobre o assunto (pensar sozinho serenamente sobre o problema – o autoconhecimento,
a autoterapia), me ajudou muito a prática de exercícios físicos. Agora que
começou o calor, nadei muito (amo nadar) e isso me tornou mais relaxado, mais
despreocupado e confiante na resolução dos problemas.
O exercício físico relaxa,
aquieta a mente. É o que diz o velho brocardo mens sans in corpore sans (mente sã em corpo são). Claro que só a
atividade física não basta, esta cria as condições ideias para que entremos em
ação, para que reflitamos e nos importemos menos com as coisas, e pensar “o que
tiver que ser, será”. Temos que aproveitar este momento pois é o instante ideal
para concentrar e focar nossa mente com otimismo, pensamentos positivos,
energias positivas e na esperança e confiança numa força maior de que tudo dará
certo (aquilo que já tratei detalhadamente na crônica “A influência da energia em nossas vidas” ). Para cada pessoa isso tem um nome diferente. Para uns, esta força maior é Deus,
é a fé na existência de Deus que tudo faz em prol de casa indivíduo (e nisto
que eu particularmente creio). Para outros, esta força maior é a natureza, é o
destino, é algo que não conseguem compreender, que transcende sua capacidade
cognitiva. Isso é subjetivo depende de crença de cada um. Mas para superar o
estresse e os problemas da vida, o importante é a pessoa crer nesta força maior
independentemente do que ela acreditar que isso seja.
Isso é o fundamental para sair do estresse, mas além destas técnicas
imprescindíveis, há algo menor que também ajuda: desabafar com amigos dispostos
a te ouvir. Pessoas que além de te ouvir, te dão apoio moral, dicas e conselhos
que te estimulam a sair da situação. Para mim, isso funciona muito mais que
terapia em que não sinto resultados. Não me sinto a vontade em contar problemas
pessoais a desconhecidos, pessoas que não possuo nenhum envolvimento. Por isso
pra mim, uma boa conversa com amigos é muito mais eficaz do que o desabafo com
um psicoterapeuta!
Hoje estou muito melhor, estou conseguindo
aos poucos reconquistar o equilíbrio que tinha outrora. Posso até ter tido um
dia ruim, estressante repleto de problemas inerentes a todos nós mas estou
conseguindo (até o momento) fazer com que isso não destrua minha paz de espírito,
que não me inquiete, não tire minhas noites de sono e não perturbe meu
raciocínio. Se eu não tivesse reagido, teria inevitavelmente uma nova depressão
grave tal como a que tive em 1999. Minimizando o estresse, exterminei de vez a
possibilidade deste se tornar uma depressão.