Abordarei desta vez um problema que consegui
superar em minha vida e compartilho na esperança que todos consigam: o amor não
correspondido.
Em meio a tantos problemas sérios
(principalmente a crise econômica que abala nosso país), há ainda muitas pessoas
que no turbilhão destes acontecimentos graves sofrem muito por amar alguém que
não o ama.
Neste ano me deparei com um amor
assim. Uma pessoa que amei à primeira vista e conforme fui conhecendo fui amando
cada vez mais. Começamos a nos conhecer mais, a ter contato (soube qual era o
seu nome inclusive) uma certa noite em que fui a um barzinho com amigos. Eu já
ia embora, quando estava
pronto para descer e sair, escutei
a voz dela falando comigo e fiquei surpreendentemente feliz por a ver lá e ter
a oportunidade de conversar com ela. Ela estava com vários amigos mas consegui
conversar bastante com ela.
Tive a certeza de que sentia algo
especial por ela, que ela era uma pessoa muito especial. Foi algo mágico. Uma pessoa muito
simpática, bondosa, de ótimo coração, uma beleza que vem de dentro também. Estava
cheio de esperanças. Comecei a convidar ela para sair para que conversássemos mais
e para que esta aproximação possibilitasse um futuro namoro.
Ela sempre foi simpática, conversava
comigo, um doce de pessoa. No entanto, sempre recusava gentilmente meus
convites dizendo que não poderia pois tinha outros compromissos. Eu sempre
tentava, refazia convites para as mais variadas ocasiões (festas familiares,
eventos públicos, barzinhos, caminhadas etc) mas ela apesar de agradecer nunca
aceitava pois sempre dizia que não seria possível pois tinha algum compromisso
marcado. Além disso dei várias indiretas a ela, sempre fiz questão de dizer de
um modo muito sutil que a amava, eu
dizia que a adorava, que conversar com
ela me fazia muito bem, que sua companhia era muito agradável. Não dizia
diretamente que a amava, mas estas coisas que dizia fazia subentender que eu
sentia algo mais que amizade.
Foi aí que percebi que ela não me amava,
não me olhava com os mesmos olhos que olhava para ela. Se ela realmente me
amasse ou pelo menos sentisse que estava começando a me amar, ela daria um
jeito por mais compromissos que tivesse. Quem ama, quem se interessa
amorosamente pelo outro sempre dá um jeito, desmarca o outro compromisso, atrasa
o outro compromisso, ou marca para o dia seguinte ou no máximo semana seguinte.
Não existem compromissos que impeçam uma pessoa de se encontrar com a pessoa
amada.
Desconfiado mas sem ter certeza de
seu desinteresse amoroso por mim, recorri a duas amigas próximas dela (amigas minhas também em quem
confio muito), confessei meu sentimento com relação a ela pedindo que guardassem discrição. Achava que ou ela não queria saber de mim, ou não queria saber de ninguém no momento ou estava envolvida com outro alguém e dependendo do que estava acontecendo precisava saber se iria continuar agindo. As amigas confirmaram uma destas hipóteses: me contaram que a garota estava
saindo com um cara. Este cara com quem ela estava se envolvendo é um rapaz muito legal
que conheço e que julguei que ambos eram apenas amigos, inclusive ele estava junto
dela na vez que a vi no barzinho e na ocasião não pressenti nada demais.
As amigas dela não souberam confirmar
que ambos estavam namorando, apenas que saíam e que mantinham um relacionamento
discreto, sem manifestações públicas de um casal de namorados. De fato sempre
que os vejo juntos conversam bastante, são bem ligados mas discretos a ponto de
ninguém perceber que saem.
A partir do momento que soube disso
mesmo sabendo que não estavam namorando sério, estavam apenas saindo (se
tivessem é claro que teriam tornado tal relacionamento público), acabei aos
poucos me esquecendo dela, deixei de convida-la para sair e comecei a encara-la
como amiga.
Aí vocês me perguntam por que agi
assim? Por que não continuei sofrendo por ela, lutando por este amor? Porque
não vale a pena. O amor só vale a pena quando é correspondido. Se ela ao menos
olhasse pra mim, se ao menos indiretamente manifestasse interesse aí sim toda
tentativa seria válida. Ninguém que ser só amar, todo mundo sente a necessidade
de ser amado também, esta é a plenitude do amor.
Outrossim, do que adianta eu me
esforçar incessantemente para ser notado por alguém que sou invisível do ponto
de vista amoroso? Claro que só por este ponto de vista eu sou invisível para
ela, pois ela sempre conversou comigo, nunca foi grossa, sempre me tratou muito
bem, até ouviu meus desabafos certa vez.
Ademais, o que mais me fez deixar de
insistir nela foi a generosidade. Todos nós temos que ter a consciência de que
o amor não é egoísta, o amor é generoso. Amor não é possessivo, não pensa só em
si, pensa principalmente no outro, amor é bilateral e recíproco. Se você ama
alguém você quer ver este alguém feliz. Como a felicidade dela estava ao lado
deste rapaz, não me opus a isto e jamais faria qualquer coisa pra atrapalhar o
relacionamento que os dois estavam desenvolvendo (ainda que aparentemente não fosse um namoro
sério), pelo contrário torço para que ela seja feliz com ele e gosto dele
quero que ele seja feliz. Confesso claro que não foi fácil para mim, sofri com
isso por certo tempo pois sempre a imaginei que pudéssemos namorar, mas com o
passar do tempo fui aceitando e compreendendo isso com maturidade. Hoje a considero como uma amiga, não perdi o contato, não deixo de conversar com ela e continuo torcendo por sua felicidade.
Não é fácil chegar a este grau de tolerância,
compreensão e generosidade no amor. Demorei muito para chegar a isso (36 anos).
Em todos meus relacionamentos anteriores não via a situação sob esta ótica,
sofria sem parar, vivia torturas amorosas. Pela primeira vez, felizmente
consegui encarar serenamente a situação desta maneira e partir para outra sem
tristeza e sem mágoa. E ficaria muito feliz se vocês tentassem, é um exercício
contínuo mas os resultados são maravilhosos, só fazem bem a vocês mesmos.
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