terça-feira, 27 de outubro de 2015

Como lidar com o estresse?

Hoje vou falar de algo que ficou rondando muito minha vida ultimamente: o estresse! E creio que seja o caso de inúmeras pessoas na atualidade. É o grande mal do cotidiano que aflige o homem contemporâneo.

O grande problema do estresse é ele se tornar crônico e se tornar depressão. E isso já aconteceu comigo em 1999. Até hoje brinco que na minha vida não foi a grande depressão de 1929 (nome dado ao crash, a queda da Bolsa de Nova Iorque), foi a grande depressão de 1999.

Na época, fazia duas faculdades ao mesmo tempo: Direito de manhã na Faditu e Gestão Empresarial à noite na Fatec. As atividades acumuladas das 2 faculdades me estressaram, mas não foram as atividades em si as responsáveis pelo meu estresse. O grande responsável pelo meu estresse foi eu mesmo. Eu me cobrava muito, era muito responsável, exigia demais de mim, queria ir muito bem nas duas faculdades, ter ótimo rendimento nas 2 (com notas entre 9 e 10 em ambas) e em determinada fase do curso isso já não era mais possível, se eu fosse melhor numa inevitavelmente não iria tão bem em outra, até iria bem mas não com um desempenho extraordinário como o que almejava.

E isso me estressou. E o estresse virou depressão. Estava tão cansado, tão sobrecarregado, a adrenalina estava tão em alta que por não conseguir dar conta de tudo, desanimei, me senti impotente perante a situação, fiquei apático perante tudo e me deprimi por 3 longos meses.

Foi horrível! Mas graças a Deus consegui superar tudo e sair desta crise!

Nas últimas semanas fiquei estressado, senti depressão (mais leve do que a de 1999) que ameaçou a se tornar grave se eu não reagisse. O que motivou meu estresse desta vez foi o fato de eu ter me conscientizado de ter virado o novo chefe de família e agora nesta crise econômica isso tornava tudo mais complicado ainda! Caiu a ficha, um ano após meu querido pai ter falecido, me senti responsável pelo sustento de minha família (mãe, irmã e sobrinho) e a crise fez com as dificuldades aumentarem muito, fez o número de clientes diminuir bem como o índice de inadimplência aumentar, o que me fez me sentir ainda mais frágil financeiramente e pressionado, e me cobrar ainda mais pra que minha família não passe necessidade. Ia ter que assumir tudo, e o peso desta responsabilidade começou a doer demais nas minhas costas. Comecei a carregar o mundo atrás de mim. Como sustentar a todos com estas dificuldades que de repente surgiram com a crise?

Muitas pessoas notaram isso. Sou uma pessoa comunicativa, extrovertida, adoro conversar e quando estou estressado e deprimido (mesmo que num grau mais brando como o que estava recentemente) fico calado, introvertido, antissocial,  com a mente parada.

É incrível como o estresse prejudica momentaneamente nossa mente. O estresse atravanca e bloqueia a mente, estagna nossa criatividade e paralisa o desenvolvimento de nosso potencial. Turbulenta e cansada nossa mente não consegue pensar sabiamente, não consegue ter grandes ideias. Nos sentimos meio bobos, paralisados. E isso nos afasta de muitas pessoas. A maioria das pessoas normalmente não entendem este estágio temporário e tratam isso de forma insensível, sem compreensão.

Ademais, o estresse acarreta insônia. Faz com que tenhamos um sono agitado, que faz com que acordemos durante a noite. E noites de sono mal dormidas faz com que acordemos desanimados, tensos, exaustos e sem energia para realizar as atividades do dia-a-dia.

O fator que contribui muito com o estresse é a preocupação. Ficar muito tenso, sentir a consequência mais grave do problema antes dele se consumar totalmente. O problema até existe, é de certa forma grave, está lá, mas a preocupação faz com que hiperdimensionemos o problema, tornemos muito maior do que ele realmente é, trazendo consequências irreversíveis ao problema que por pior que seja teria tentativas de soluções alternativas que não pensamos. O pior vilão disso tudo é a nossa maneira de pensar, de nos cobrar demais.

É neste momento que temos que reagir para não agravar a situação, para sair do estresse e voltarmos à paz de espírito que tínhamos antes.  E como lidar com isso? Encontrei a solução: além da autocrítica e da reflexão profunda sobre o assunto (pensar sozinho serenamente sobre o problema – o autoconhecimento, a autoterapia), me ajudou muito a prática de exercícios físicos. Agora que começou o calor, nadei muito (amo nadar) e isso me tornou mais relaxado, mais despreocupado e confiante na resolução dos problemas.

O exercício físico relaxa, aquieta a mente. É o que diz o velho brocardo mens sans in corpore sans (mente sã em corpo são). Claro que só a atividade física não basta, esta cria as condições ideias para que entremos em ação, para que reflitamos e nos importemos menos com as coisas, e pensar “o que tiver que ser, será”. Temos que aproveitar este momento pois é o instante ideal para concentrar e focar nossa mente com otimismo, pensamentos positivos, energias positivas e na esperança e confiança numa força maior de que tudo dará certo (aquilo que já tratei detalhadamente na crônica “A influência da energia em nossas vidas” ). Para cada pessoa isso tem um nome diferente. Para uns, esta força maior é Deus, é a fé na existência de Deus que tudo faz em prol de casa indivíduo (e nisto que eu particularmente creio). Para outros, esta força maior é a natureza, é o destino, é algo que não conseguem compreender, que transcende sua capacidade cognitiva. Isso é subjetivo depende de crença de cada um. Mas para superar o estresse e os problemas da vida, o importante é a pessoa crer nesta força maior independentemente do que ela acreditar que isso seja.

Isso é o fundamental para sair do estresse, mas além destas técnicas imprescindíveis, há algo menor que também ajuda: desabafar com amigos dispostos a te ouvir. Pessoas que além de te ouvir, te dão apoio moral, dicas e conselhos que te estimulam a sair da situação. Para mim, isso funciona muito mais que terapia em que não sinto resultados. Não me sinto a vontade em contar problemas pessoais a desconhecidos, pessoas que não possuo nenhum envolvimento. Por isso pra mim, uma boa conversa com amigos é muito mais eficaz do que o desabafo com um psicoterapeuta!

Hoje estou muito melhor, estou conseguindo aos poucos reconquistar o equilíbrio que tinha outrora. Posso até ter tido um dia ruim, estressante repleto de problemas inerentes a todos nós mas estou conseguindo (até o momento) fazer com que isso não destrua minha paz de espírito, que não me inquiete, não tire minhas noites de sono e não perturbe meu raciocínio. Se eu não tivesse reagido, teria inevitavelmente uma nova depressão grave tal como a que tive em 1999. Minimizando o estresse, exterminei de vez a possibilidade deste se tornar uma depressão.

Espero que consiga me manter sempre assim e que isso seja útil para todos os leitores. Para que consigam seguir adiante suas vidas, superar as dificuldades cotidianas, enfrentar os problemas sem se abater, para que não nos deixemos vencer e jamais sucumbir às energias negativas e preocupantes do estresse que sempre tentam atravancar nossa capacidade, mudando assim permanentemente a visão que temos dos problemas! 

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